Um cenário económico resiliente
A economia de Portugal apresentou um crescimento estável e resiliente ao longo de 2025. O Produto Interno Bruto (PIB) registou um aumento moderado de 1,9%, impulsionado em grande parte por uma expansão robusta de 3,5% no consumo privado. Isto indica uma forte procura interna e confiança dos consumidores, que são cruciais para o setor do retalho. Ainflação está a começar a moderar-se, com as previsões a situarem-se num nível mais controlável de 2,3% para o ano. O mercado de trabalho também mostra sinais positivos, com a taxa de desemprego em tendência consistente de queda, com previsão de atingir 5,7% em 2026. Com o crescimento do PIB previsto para acelerar para 2,3% em 2026 antes de se normalizar, as perspetivas económicas gerais proporcionam uma base estável para a atividade de retalho.
Tendênciass na procura no retalho
Embora o clima económico fosse positivo, a procura no retalho sofreu um ligeiro abrandamento em 2025. O ano registou aproximadamente 800 novas aberturas de lojas, uma diminuição de 14% em comparação com o ano anterior, sugerindo uma abordagem de expansão mais estratégica e cautelosa por parte dos retalhistas.
O formato de comécio de rua continua a ser o líder indiscutível, representando 68% de todas as novas aberturas. Isto destaca a importância das das localizações urbanas privilegiadas. Os centros comerciais seguiram-se com uns distantes 16%, com o formato de stand-alone a representar 8% das novas aberturas no mercado.
O setor de restauração (F&B) foi o principal impulsionador da atividade, representando 45% de todas as novas aberturas. Esta tendência ressalta uma mudança mais ampla nos gastos dos consumidores em direção a experiências e refeições. O quarto trimestre foi marcado por várias transações de grande escala notáveis, incluindo novas lojas da gigante Mercadona e da retalhista de artigos para o lar Casa Peixoto, ambas garantindo espaços entre 3.800 e 4.000 m².
Tendências derendas: estabilidade em localizações privilegiadas
Em termos de custos de arrendamento, as rendas de localização privilegiada mantiveram-se estáveis em todos os formatos de retalho no último trimestre de 2025. Quandocomparando com o ano anterior, as localizações de comércio de rua em Lisboa e no Porto registaram aumentos nas rendas, o que comprova a sua procura sustentada. Em contrapartida, as rendas nos centros comerciais e retail parks permaneceram inalteradas. Olhando para o futuro, a previsão sugere um aumento a curto prazo nas rendas de localização privilegiada, impulsionado pela procura resiliente em localizações centrais e de alto tráfego.
Um forte pipeline para construção
O lado da oferta do mercado registou uma atividade significativa em 2025, com a conclusão de cinco projetos de retalho que adicionaram um total de 51 930 m² de Área Bruta Locável (ABL) ao mercado. Os principais projetos incluíram a inauguração do Nova Vila Retail Park (22 000 m²) e uma grande expansão de 10 000 m² do Vila do Conde Porto Fashion Outlet.
O pipeline de desenvolvimento para os próximos três anos é robusto, sinalizando confiança no futuro do retalho português. Está prevista uma área bruta locável substancial de 192.500 m², com um foco estratégico claro em retail parks, que representam impressionantes 87% desta oferta futura. Os principais projetos já em construção incluem:
- Retail Park Póvoa de Varzim (21 000 m²)
- Parque Comercial Açores (18 000 m²)
- Parque Comercial RIA 125 (17 000 m²)
- City Center Covilhã (18 000 m²)