Contexto económico
A economia portuguesa tem seguido uma trajetória ascendente constante. Em 2025, o PIB cresceu 1,9%, com uma aceleração prevista para 2,3% em 2026, antes de se estabilizar nos anos seguintes. A inflação também mostra sinais de moderação, com uma projeção de 2,3% em 2025 e uma queda para menos de 2,0% nos anos seguintes. Esta moderação da inflação é um sinal positivo tanto para as empresas como para os consumidores, uma vez que alivia as pressões sobre os custos e reforça a estabilidade económica.
O mercado de trabalho tem-se mantido robusto, com uma previsão de descida do desemprego de 6,1% em 2025 para 5,7% em 2026. Esta descida sublinha a força da economia portuguesa e a sua capacidade de sustentar a criação de emprego, o que é um fator crítico para impulsionar a procura de espaços de escritórios em todo o país.
Visão geral da procura: ocupação de escritórios abranda na Grande Porto
Apesar dos indicadores económicos positivos, o mercado de arrendamento de escritórios na Grande Porto registou um abrandamento notável em 2025. A ocupação anual caiu 43% em relação ao ano anterior, totalizando apenas 43 700 m². No quarto trimestre de 2025, a atividade de arrendamento compreendeu 22 transações, contribuindo com 15 210 m² para o total anual.
As principais transações durante este período incluíram um arrendamento significativo de 3340 m² no Viva Offices, na Zona 3, por um inquilino confidencial, e a aquisição do edifício BUZ (1600 m²) pela operadora de coworking DeHouse. Estas transações destacam o interesse contínuo em espaços de escritórios dequalidade, mesmo num contexto de abrandamento.
Ao nível dos submercados, a ZEP (Zona 3) e o CBD Boavista (Zona 1) foram os principais contribuintes, representando cada uma das zonas quase um quarto da ocupação total. Matosinhos (Zona 6) foi a terceira zona com maior actividade, representando 21% da atividade de arrendamento. Em termos de setores, os Outros Serviços dominaram a procura, representando 37%, com o setor TMT’s & Utilities a ocupar o segundo lugar, com 16%. Esta repartição setorial demonstra a diversidade de indústrias que impulsionam a procura de escritórios no Porto.
Taxas de desocupação: ligeiro declínio
A taxa de desocupação global no Grande Porto registou uma ligeira descida de 0,1 pontos percentuais, situando-se em 8,8% no quarto trimestre de 2025. No entanto, as taxas de desocupação variaram significativamente entre os submercados, refletindo a dinâmica diversificada da região.
A taxa de desocupação mais baixa foi registada na zona Oriental (Zona 4), onde se situou em apenas 2,2%, indicando uma forte procura e uma oferta limitada na área. Em contrapartida, ZEP (Zona 3), Matosinhos (Zona 6) e Maia (Zona 7) registaram taxas de desocupação de cerca de 10%.
Tendências de rendas: estabilidade em todos os submercados
As rendas prime mantiveram-se estáveis em todos os submercados, demonstrando a resiliência do mercado de escritórios, mesmo num contexto de abrandamento da atividade de arrendamento. As rendas mais elevadas foram registadas no CBD Boavista (Zona 1), com 21,00 €/m²/mês, seguidas pela ZEP (Zona 3), com 19,00 €/m²/mês.
Esta estabilidade reflete a procura constante por espaços de escritórios de qualidade em localizações privilegiadas.
Construção e oferta futura: crescimento futuro no horizonte
A oferta futura deverá desempenhar um papel significativo na definição do futuro do mercado de escritórios da Grande Porto. Em 2025, foram entregues um total de 41 810 m² de novos espaços de escritórios, incluindo três grandes projetos concluídos no quarto trimestre. Entre estes, o Viva Offices foi o maior, sublinhando a atividade de desenvolvimento em curso na Zona 3.
Olhando para o futuro, espera-se que nos próximos três anos sejam entregues mais119 880 m² de novos espaços de escritórios. Destes, 98 580 m² já estão em construção e 32% deste espaço está pré-reservado, o que demonstra uma forte confiança na procura futura.