Contexto económico
A economia portuguesa apresentou um crescimento estável em 2025, com o PIB a expandir 1,9%. As previsões apontam para um desempenho ainda mais forte em 2026, com um crescimento projetado de 2,3%. Esta recuperação económica é complementada por uma inflação moderada, que deverá estabilizar em 2,3% em 2025 e cair abaixo do objetivo de 2,0% nos anos seguintes, promovendo um ambiente económico estável.. O mercado de trabalho continua robusto, com o desemprego a cair de 6,1% em 2025 para 5,7% em 2026. Esta trajetória positiva, impulsionada principalmente pela forte procura interna e pelo consumo privado, cria um cenário promissor para o setor imobiliário comercial.
Procura por escritórios mantém-se forte, apesar de ligeira queda
O mercado de escritórios da Grande Lisboa registou uma atividade sólida em 2025, com uma absorção total de 204 240 m² em 169 transações, representando uma ligeira quebra de 8% face ao ano anterior. Este mercado terminou o ano com um registo de 54 transações que totalizaram 72 850 m² no quarto trimestre.
A Central Business District de Lisboa (Zona 2) foi o centro indiscutível da atividade, captando uns impressionantes 46% da procura total. Isto foi impulsionado em grande parte por duas transações marcantes: a ocupação de 34 200 m² no edifício João XXI e a aquisição pelo Banco de Portugal de dois edificios com uma área de 32 000 m² no projeto de Entrecampos. Em seguida, o moderno Parque das Nações (Zona 5) atraiu 18% da procura do mercado.
Do ponto de vista setorial, o segmento Público, Instituições Europeias e Associações foi o mais ativo, representando 33% da ocupação total. O setor Serviços Empresariais também foi um impulsionador significativo, representando quase 24% da procura.
Outras transações notáveis no quarto trimestre que destacaram a vitalidade do mercado incluíram um arrendamento confidencial de 3.200 m² em Saint-Léger (Zona 4) e um arrendamento de 3.100 m² pela IDEA Spaces no edifício Báltico (Zona 5).
Taxas de desocupação diminuem nas áreas centrais
A taxa de desocupação global na Grande Lisboa registou uma diminuição marginal, terminando o ano em 7,0%. O Corredor Ocidental (Zona 6) registou a maior taxa de desocupação, com 14,3%, enquanto o Centro de Negócios (Zona 2), com elevada procura, registou uma taxa notavelmente baixa de apenas 3,6%. Esta redução da disponibilidade nas zonas centrais privilegiadas indica uma procura forte e sustentada que está a absorver rapidamente o stock disponível.
As rendas prime continuam a subir
Refletindo a forte procura por espaços de escritórios premium, as rendas prime continuaram a sua trajetória ascendente nos principais submercados. No CBD prime, as rendas subiram para 32,00 €/m²/mês. Da mesma forma, o CBD mais amplo viu as rendas subirem para 28,00 €/m²/mês, enquanto o Parque das Nações registou rendas de 22,00 €/m²/mês. O aumento consistente das rendas prime nas áreas mais procuradas de Lisboa destaca a força do mercado e a procura contínua por ambientes de escritórios de alta qualidade e bem localizados.
Pipeline de construção robusto sinaliza crescimento futuro
O pipeline de construção na Grande Lisboa continua dinâmico, com 61 200 m² de novos espaços de escritórios a serem entregues em 2025. Entre as principais conclusões, destaca-se o projeto Camilo Castelo Branco 46, na Zona 1, que acrescentou 6315 m² de espaço de escritóriosao mercado.
Em relação ao o futuro, a previsão de desenvolvimento continua elevada. Estima-se que 327 860 m² de novos espaços de escritórios sejam concluidos nos próximos três anos. Destes, 294 170 m² já estão em construção e uns consideráveis 37% já estão pré-reservados. Esta elevada taxa de pré-ocupação reflete a forte confiança no mercado tanto por parte dos promotores como dos inquilinos, que estão interessados em garantir espaço para o futuro. Com empreendimentos importantes previstos tanto em zonas centrais já estabelecidas como em distritos de escritórios emergentes, a oferta aponta para um crescimento equilibrado e sustentado do mercado de escritórios de Lisboa nos próximos anos.