A compra e a venda de grandes propriedades comerciais - prédios de escritórios, shopping centers e galpões logísticos - têm mostrado resiliência no País. A primeira metade do ano teve um avanço significativo nas cifras movimentadas, mas o ritmo acelerado não deve se manter, tendo em vista a persistência dos juros altos. Esse tipo de negociação movimentou R$ 13,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 57% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando atingiram R$ 8,4 bilhões, segundo levantamento da consultoria Cushman & Wakefield.
Mais recentemente, porém, houve um recuo. As transações somaram R$ 4,8 bilhões no segundo trimestre, montante 42% menor que no primeiro trimestre deste ano (R$ 8,3 bilhões) e 14% abaixo do mesmo período do ano passado (R$ 5,6 bilhões). O que tem motivado as compras e vendas de ativos no setor são os fundamentos positivos, isto é, redução dos espaços vagos nos imóveis comerciais e o crescimento no valor dos aluguéis. “Isso é que atrai os investidores”, afirma o diretor geral da Cushman & Wakefield, Daniel Battistella.
Setor mais movimentado é o de galpões
Entre os setores imobiliários, o mais movimentado é o de galpões logísticos. O setor teve 15 operações no valor total de R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre. O setor de logística está em franco crescimento em virtude da demanda aquecida por imóveis que sirvam como centros de distribuição e armazenamento para o comércio eletrônico. Como exemplo, fundos imobiliários sob gestão da XP foram responsáveis por mais de R$ 1 bilhão em compras no segundo trimestre, arrematando diversos imóveis do tipo, como os condomínios GLP I e II, em Jundiaí (SP). Já os imóveis de varejo (shoppings e grandes lojas) tiveram 7 transações no segundo trimestre, movimentando R$ 1,3 bilhão (27% do total). Por exemplo: a Iguatemi comprou uma participação adicional no Pátio Paulista, enquanto o fundo Pátria Malls arrematou participações nos shoppings Eldorado, Plaza Sul e Higienópolis. Por fim, o segmento de prédios de escritórios teve 6 operações, no valor total de R$ 531 milhões (13% do total).
Juros frustram os negócios
A compra e venda de ativos teve picos de negociações entre o fim de 2025 e o começo de 2026, mas as operações perderam fôlego devido à frustração com a persistência dos juros altos. “Os últimos meses vieram mais fracos em volume. A principal hipótese é que a narrativa de redução da taxa de juros não se confirmou como o esperado”, avalia Battistella. “Para os próximos meses, talvez o volume de transações não atinja o que foi visto em 2025 (R$ 26,6 bilhões) por causa desses juros altos”, pondera o diretor geral da Cushman & Wakefield.
Segundo ele, a tendência é um ambiente de investimentos mais seletivo, marcado pela priorização de ativos com fundamentos operacionais sólidos, contratos de locação robustos e potencial de geração de fluxo de caixa previsível. A opinião é compartilhada por Fernando Oliveira, fundador da Primaz & Co, butique de investimentos imobiliários. “Mesmo com o juro alto, todos os setores do mercado imobiliário têm subido o preço da locação, o que agradou o investidor nos últimos trimestres”, comenta. Na visão de Oliveira, isso é reflexo do crescimento da economia, com mais demanda por galpões logísticos, imóveis de varejo e escritórios, no geral.
Já pela frente, a percepção é de que o mercado deve adiar boa parte da tomada de decisão sobre novos negócios. “No segundo semestre, esperamos que o mercado entre em compasso de espera, porque continuamos vendo juros em um patamar altíssimo e ainda teremos incerteza com as eleições”, complementa o presidente da Primaz & Co, Luiz Viotti.
Fonte: Estadão